Fertilizantes são produzidos por países do Golfo Pérsico, que utilizam o Estreito de Ormuz, agora fechado, como rota de transporte
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou, nesta quinta-feira (26/3), para o impacto do fechamento do Estreito de Ormuz para a segurança alimentar, a produção agrícola e os mercados globais.
De acordo com o economista-chefe da FAO, Máximo Torero, caso o conflito no Oriente Médio dure mais de três meses, o impacto será sentido nas decisões globais de plantio para 2026 e anos seguintes. Se durar mais do que isso, a FAO prevê redução na produtividade de culturas que exigem muitos fertilizantes, como trigo, arroz e milho, substituição por culturas fixadoras de nitrogênio, como a soja.
“Este não é apenas um choque energético. É um choque sistêmico que afeta os sistemas alimentares em todo o mundo”, disse Torero, em coletiva de imprensa.
Isso porque os fertilizantes, usados na agricultura, são produzidos largamente por países do Golfo Pérsico, que utilizam o Estreito de Ormuz como rota de transporte. Por lá, passam até 30% dos fertilizantes comercializados internacionalmente.
A FAO cita o Brasil como um dos países mais vulneráveis aos impactos. O país importa 80% dos fertilizantes usados na agricultura brasileira.
“Os agricultores estão enfrentando um duplo choque de custos: fertilizantes mais caros e o aumento dos preços dos combustíveis, o que afeta toda a cadeia de valor agrícola, incluindo irrigação e transporte”, destacou Torero.
Aumento da fome
A ONU já tinha alertado para o risco de 45 milhões de pessoas passarem para à lista de situação de fome aguda por causa de interrupções em operações de ajuda humanitária. A previsão é para caso o conflito continue até junho deste ano.
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