Cruzeiro do Sul, Acre, 12 de março de 2026 23:13

Polícia Civil do Rio de Janeiro desarticula “fábrica” de armas 3D em todo o país

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Ação cumpre prisões e buscas em 12 estados ligados à venda clandestina de armamentos sem numeração, enviados a compradores via internet

Uma operação conjunta das forças de segurança desarticulou nesta quinta-feira (12) uma organização criminosa suspeita de produzir e comercializar armas de fogo fabricadas em impressoras 3D e distribuí-las para diversos estados do país. A ação resultou na prisão de quatro pessoas em São Paulo e no cumprimento de mandados em outros 12 estados.

Batizada de Operação Shadowgun, a ofensiva é conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, por meio da 32ª DP (Taquara), em parceria com o Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (CyberGAECO/MPRJ) e com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Entre os presos está um engenheiro apontado pelas investigações como responsável pelo desenvolvimento técnico das chamadas “armas fantasmas”, que são armamentos produzidos sem numeração de série e, consequentemente, sem possibilidade de rastreio. Segundo os investigadores, ele seria o mentor do grupo e coordenaria a produção e a distribuição das peças.

Operação tem alvos em diversos estados do país
Divulgação / Pcerj – Operação tem alvos em diversos estados do país

De acordo com a Polícia Civil, os demais integrantes da organização tinham funções bem definidas no esquema. Um dos investigados prestava suporte técnico direto à fabricação das armas, outro atuava na divulgação e articulação ideológica do grupo, enquanto um terceiro era responsável pela propaganda e pela identidade visual usada nas plataformas digitais.

Como funcionava o esquema

As investigações apontam que a rede utilizava a internet para divulgar projetos digitais de armas e acessórios produzidos por impressão 3D, além de comercializar as peças. Os produtos eram anunciados em plataformas online e enviados pelos Correios para compradores em diferentes estados. O grupo também compartilhava arquivos digitais, manuais de montagem e instruções para que terceiros pudessem fabricar suas própais armas clandestinas em casa. Os pagamentos eram realizados por meio de sistemas digitais com alto grau de anonimização, incluindo o uso de criptomoedas, o que dificultava o rastreamento do dinheiro.

Operação cumpre mandados em 12 estados

Até o momento, foram cumpridos 36 mandados de busca e apreensão e cinco de prisão, tendo como alvo 30 suspeitos em 12 estados brasileiros. A operação mobilizou forças de segurança no Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Rio Grande do Sul, Pará e Paraíba, além do apoio das polícias civis de Minas Gerais, Santa Catarina, Goiás, Bahia, Roraima e Sergipe.

Armas produzidas com impressão 3D apreendidas em operação que investiga rede de fabricação e venda clandestina no país.
Divulgação /PCERJ – Armas produzidas com impressão 3D apreendidas em operação que investiga rede de fabricação e venda clandestina no país.

As apurações indicam que parte dos compradores das armas possui antecedentes criminais, incluindo possíveis vínculos com milícias e organizações ligadas ao tráfico de drogas. No estado do Rio de Janeiro, foram identificados cerca de dez compradores em municípios como São Francisco de Itabapoana, Araruama, São Pedro da Aldeia e Armação dos Búzios, além da capital fluminense.

Segundo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, os investigados foram denunciados pelos crimes de organização criminosa, comércio ilegal de armas de fogo e lavagem de dinheiro.

A promotoria também pediu que os acusados sejam condenados ao pagamento de R$ 2,3 milhões por danos morais coletivos, devido ao risco causado à segurança pública pela disseminação desse tipo de armamento.

Investigação começou após alerta internacional

As diligências começaram após um alerta de um órgão internacional sobre a comercialização de armas produzidas em impressoras 3D em redes sociais. A partir dessas informações, o Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça (Ciberlab) auxiliou na análise de dados digitais e no mapeamento da rede criminosa.

A operação contou ainda com cooperação da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), da agência dos Estados Unidos Homeland Security Investigations (HSI) e do Centro Integrado de Segurança Pública e Proteção Ambiental de Foz do Iguaçu.