Cruzeiro do Sul, Acre, 20 de fevereiro de 2026 15:19

Polícia conclui que síndico matou corretora com dois tiros na cabeça em Caldas Novas (GO)

corretora

A Polícia Civil de Goiás concluiu o inquérito sobre o desaparecimento e a morte da corretora Daiane Alves de Souza, ocorrido em Caldas Novas, no sul de Goiás. O síndico do condomínio, Cleber de Rosa de Oliveira, foi indiciado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. De acordo com as investigações, o crime foi premeditado e executado por meio de uma emboscada.

Daiane Alves Souza, de 43 anos, foi vista pela última vez dia 17 de dezembro, no prédio em que mora em Caldas Novas — Foto: Arquivo pessoal/Nilse Alves Pontes

A tomografia realizada no Instituto Médico Legal (IML) apontou que Daiane foi atingida por dois tiros na cabeça, o que é incompatível com as hipóteses de acidente ou legítima defesa.

Imagens recuperadas do celular da própria vítima foram decisivas para esclarecer a dinâmica do crime. O vídeo mostra o momento em que Daiane desce ao subsolo do prédio após o desligamento do disjuntor de energia do apartamento. Nas gravações analisadas, o suspeito já aparece usando luvas, com o carro posicionado próximo ao local e encapuzado no momento da abordagem.

Durante o depoimento, Cleber afirmou que houve uma luta corporal entre os dois e que o disparo teria sido acidental. No entanto, essa versão foi descartada. Testes de acústica realizados pela Polícia Técnico-Científica comprovaram que qualquer tiro efetuado no subsolo seria audível na portaria e também nos andares do prédio.

Porteiros ouvidos pela polícia afirmaram que não escutaram disparos no dia do crime. Exames periciais também identificaram sangue da vítima no quarto de ferramentas e no veículo do investigado, por meio da aplicação de luminol, substância usada para revelar vestígios biológicos.

De acordo com a investigação, após render a vítima no subsolo, o síndico a colocou no próprio carro e a levou até uma área de mata, onde efetuou os disparos e ocultou o corpo. O cadáver foi localizado dias depois, já em avançado estado de decomposição.

Outro ponto destacado pela investigação é que o filho do síndico, Maicon Douglas de Oliveira, chegou a ser preso temporariamente junto com o pai. No entanto, a análise de imagens e de dados extraídos de aparelhos eletrônicos indicou que ele não teve participação no homicídio.

Segundo a Polícia Civil, o despacho de soltura já foi elaborado e encaminhado, e a liberação deve ocorrer ainda hoje.

A corretora Daiane Alves de Souza permaneceu desaparecida por 42 dias, até a prisão do síndico Cleber Rosa de Oliveira, que posteriormente confessou o crime e indicou o local onde o corpo havia sido ocultado.

Relembre o caso

Daiane Alves Souza era natural de Uberlândia, em Minas Gerais, e morava em Caldas Novas há cerca de dois anos. Ela administrava seis apartamentos da família na cidade turística.

Familiares relataram que Daiane tinha desavenças com moradores do prédio. Em 17 de dezembro, dia do desaparecimento, a corretora desceu ao subsolo para verificar um problema na energia elétrica, porque o apartamento dela estava sem luz.

Imagens de câmeras de segurança mostram Daiane no elevador por volta das 19h. Ela entra e grava um vídeo para uma amiga, sai logo depois e não é mais vista.

A Polícia Civil destacou como ponto-chave um intervalo de 7 minutos e meio sem imagens de segurança. Esse período corresponde ao tempo entre a saída da vítima do elevador e a chegada ao local dos disjuntores do prédio — trecho em que não há registros. O registro citado foi feito por volta das 19h30.

O corpo de Daiane foi encontrado em estado de esqueletização. Os restos mortais estavam a mais de 15 quilômetros do local do crime.