Ramagem foi solto nessa quarta-feira (15/4) após passar dois dias detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), em Orlando
O ex-deputado Alexandre Ramagem poderá aguardar nos Estados Unidos a conclusão da análise do pedido de asilo feito ao país. Em paralelo, ainda está em tramitação a solicitação de extradição feito pelo governo brasileiro.
De acordo com o blogueiro Paulo Figueiredo, que acompanha a tramitação do caso, a Justiça dos Estados Unidos entendeu que, como tem uma solicitação de asilo em análise, Ramagem não é considerado irregular no país, mesmo sem um visto válido, e não deverá ser deportado.
Ramagem foi solto nessa quarta-feira (15/4) após passar dois dias detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), em Orlando. Segundo Figueiredo, o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) não precisou pagar fiança para ser liberado.
“Nossa expectativa é de que seja liberado o mais rapidamente possível e, no momento, não vemos qualquer risco de deportação. O trâmite do ICE também é burocrático e depende da formalização no sistema do órgão para que os próximos passos sejam dados nesta direção”, afirmou.
Ramagem está nos Estados Unidos sem ter um passaporte válido. Além do pedido de asilo, os Estados Unidos também analisam uma solicitação de extradição feita pela Embaixada do Brasil em Washington. De acordo com Figueiredo, a detenção dele nesta semana não teve a ver com esse pedido.
“Trata-se de um procedimento padrão da imigração americana. Isso não tem absolutamente nada a ver com o pedido de extradição do Brasil, que segue em análise no Departamento de Estado”, disse.
O parlamentar cassado fugiu para os Estados Unidos em setembro do ano passado, ainda durante o curso da ação no Supremo Tribunal Federal (STF) que o condenou a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele deixou o país pela fronteira com a Guiana, em Bonfim (RR).

Quem é Ramagem
Alexandre Ramagem foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) do governo de Jair Bolsonaro (PL) e deputado federal eleito em 2022. Ele foi um dos condenados pelo STF no núcleo 1 da trama golpista.
A condenação é referente aos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Ele recebeu a pena de 16 anos, 1 mês e 15 dias em regime fechado.
Devido à condenação, o mandato dele foi cassado em dezembro de 2025 pela Mesa Diretora da Câmara. Com isso, ele perdeu o passaporte diplomático que tinha direito e que usou para entrar nos Estados Unidos.
O Supremo suspendeu a análise de crimes relacionados ao 8 de Janeiro, como dano qualificado ao patrimônio da União, porque teriam ocorrido após a diplomação como deputado. Esses ainda serão julgados pela Corte após a perda do mandato.
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