Especialista alerta que recusa persistente de alimentos pode impactar o desenvolvimento e requer avaliação precoce
A recusa alimentar em crianças é uma queixa frequente entre pais e responsáveis. Embora, na maioria dos casos, faça parte do desenvolvimento infantil, a seletividade alimentar pode, em algumas situações, indicar a necessidade de acompanhamento profissional.
De acordo com o nutricionista e docente da Afya Cruzeiro do Sul, Micael Dias, esse comportamento costuma surgir em uma fase específica da infância. “A seletividade alimentar é comum e geralmente aparece entre os 2 e 6 anos, quando a criança está desenvolvendo autonomia e apresenta maior resistência ao novo, o que chamamos de neofobia alimentar”, explica.
Nem toda recusa alimentar representa um problema. Segundo o especialista, é importante observar o contexto e os impactos na saúde da criança. “Uma fase normal é quando a criança ainda mantém alguma variedade alimentar e apresenta crescimento adequado. Já quando há uma restrição muito grande e persistente, com impacto na saúde ou na rotina familiar, isso merece atenção”, destaca.
A realidade vivida pela Eliane Oliveira ajuda a ilustrar os desafios da seletividade alimentar. Mãe de Bianca Juliane, hoje com 11 anos, ela percebeu os primeiros sinais ainda na infância. “A seletividade começou por volta dos 3 anos. Teve uma fase em que ela só aceitava pão com margarina, mingau de farinha láctea e iogurte de morango, sempre de marcas específicas. Quando tentávamos oferecer algo diferente, ela chegava a vomitar”, relembra.
A limitação alimentar trouxe preocupação, especialmente em relação à saúde e ao desenvolvimento da criança. “Isso começou a nos preocupar muito pela questão nutricional. Era uma alimentação muito restrita, e ela ainda passou a ter prisão de ventre”, conta.
Em alguns casos, a seletividade alimentar pode estar associada a condições do neurodesenvolvimento, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Nesses quadros, o padrão alimentar tende a ser mais rígido e duradouro. “Crianças com esse perfil costumam aceitar um número muito limitado de alimentos, com forte resistência a mudanças e reações intensas diante de novos estímulos”, afirma Micael.
Para Eliane, o diagnóstico trouxe também um processo emocional importante. “Quando veio o diagnóstico, o primeiro sentimento foi de culpa. Mas, com o tempo, fui entendendo que nem sempre os sinais são claros e que fiz o melhor que podia naquele momento”, relata.
O papel da sensorialidade
Um dos fatores mais marcantes na seletividade alimentar é a sensorialidade. Textura, cor, cheiro e aparência influenciam diretamente a aceitação dos alimentos. “Muitas vezes não é uma escolha. A criança responde ao estímulo sensorial, e isso pode tornar a alimentação um desafio real”, explica o nutricionista.
Na rotina de Bianca, isso se reflete em hábitos bastante específicos. “Se eu acho a comida com cheiro ruim ou com uma textura estranha, eu não consigo nem provar. Também gosto de ver tudo separado no prato”, conta a adolescente.

Quando a seletividade é muito restrita, podem surgir prejuízos à saúde, como deficiências nutricionais e impactos no crescimento. “Os principais riscos são a falta de nutrientes como ferro, zinco e vitaminas, além da baixa ingestão de fibras”, alerta Micael.
Quando buscar ajuda
A orientação é procurar avaliação profissional sempre que houver sinais de prejuízo à saúde ou à rotina. “Os pais devem buscar ajuda quando a criança aceita poucos alimentos ou quando o momento das refeições se torna muito estressante”, orienta.
No caso de Bianca, o acompanhamento multiprofissional foi essencial. “Hoje ela é acompanhada por vários especialistas, e isso fez toda a diferença. Não é um processo individual, envolve toda a rede de apoio, inclusive a escola e a família”, destaca Eliane.
Em casa, algumas práticas podem contribuir para melhorar a relação da criança com a alimentação. A principal delas é a exposição gradual aos alimentos, sem pressão. “Oferecer o alimento repetidamente, em um ambiente tranquilo, costuma trazer melhores resultados”, afirma o especialista.
Eliane reforça que o equilíbrio foi fundamental na adaptação da rotina. “Aprendemos a orientar, mas também a respeitar o tempo dela, sem transformar a alimentação em um momento de estresse”, diz.
Por outro lado, práticas como forçar a criança a comer devem ser evitadas. “Isso pode piorar ainda mais a relação com o alimento”, ressalta Micael.
Diferenciar comportamento típico de uma dificuldade mais séria é fundamental. “A birra é pontual. Já a dificuldade real é persistente e envolve sofrimento. Quando há esse padrão, é importante investigar”, explica.
Para famílias que enfrentam o mesmo desafio, Eliane deixa uma mensagem de encorajamento. “Cada criança é única. O mais importante é buscar ajuda, respeitar o tempo dela e seguir com acolhimento e paciência. O amor sempre vai guiar nossas decisões”, conclui.
Afya Amazônia
A Afya tem uma forte relação com a Amazônia, com 16 unidades de graduação e pós-graduação na Região Norte. O estado do Acre conta com uma instituição de graduação (Afya Cruzeiro do Sul). Tem ainda onze escolas de Medicina em outros estados da Região: Amazonas (2), Pará (4), Rondônia (2) e Tocantins (3). Além delas, a Afya também está presente na região com 4 unidades de pós-graduação médica nas capitais Belém (PA), Manaus (AM), Palmas (TO) e Porto Velho (RO).
Sobre a Afya
A Afya, maior ecossistema de educação e tecnologia em medicina no Brasil, reúne 38 Instituições de Ensino Superior em todas as regiões do país, 33 delas com cursos de medicina e 20 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde. São 3.653 vagas de medicina autorizadas pelo Ministério da Educação (MEC), com mais de 23 mil alunos formados nos últimos 25 anos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil, e “Valor 1000” (2021, 2023 e 2024) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 – Saúde e Bem-Estar. Mais informações em http://www.afya.com.br e ir.afya.com.br.
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