Cruzeiro do Sul, Acre, 21 de fevereiro de 2026 05:24

SEM REGISTRO PROFISSIONAL – Simeam apoia tentativa do CFM de barrar 13 mil alunos mal avaliados no Enamed

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Entidade federal tenta impedir que estudantes de instituições que tiraram notas baixas no Enamed consigam o registro profissional

O presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), Mario Vianna, afirmou que a entidade apoia totalmente a tentativa do Conselho Federal de Medicina (CFM) de barrar o registro profissional de estudantes formados por universidades mal avaliadas no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). A medida pode impactar mais de 13 mil alunos.

Segundo o presidente, algo deve ser feito contra as faculdades que não dão uma formação adequada, mas infelizmente “quem acaba pagando o preço é o estudante”, que pode acabar sem o registro profissional.

“Sem esse registro, não é possível a prática médica. Eu apoio essa iniciativa do conselho. O Brasil está com mais escolas médicas do que a China, virou um comércio, e os resultados estão aparecendo por aí na prática médica inadequada. Acaba sendo um problema até de saúde pública”, disse.

Questionado se o resultado do Enamed poderia acelerar as discussões sobre um Exame de Ordem para as faculdades da medicina nos mesmos moldes das faculdades de direito, Mario Vianna acenou positivamente.

“Isso praticamente já está decidido. Na verdade, eu sempre apoiei um exame de ordem seriado, um pouco diferente do que acontece na OAB, que é fazer um exame no meio do curso, outro na segunda metade e o exame final no sexto ano. Esse exame seriado poderia fazer uma correção na formação do estudante, e a faculdade sendo também obrigada a melhorar o seu ensino”, destacou.

Necessidade

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o CFM mostrou preocupação com os resultados do Enamed. Segundo os dados, 107 cursos de medicina receberam notas conceito 1 e 2, apontadas como ineficientes e mostrando que um terço dos formandos não demonstram conhecimento adequado.

“Dos 351 cursos avaliados, somente 30 alcançaram nota máxima. 90% das faculdades municipais são insuficientes. O resultado? Milhares de profissionais sendo formados sem a preparação necessária para salvar vidas. As punições previstas pelo MEC, como suspensão de vagas e fiscalização, são insuficientes e limitadas”, afirmaram os representantes do conselho.

À imprensa, o presidente do CFM, José Hiran Gallo, afirmou que tentaria meios judiciais para impedir que os estudantes formados pelas instituições mal avaliadas pudessem obter o registro de médico.

Gallo informou que encaminhou para o setor jurídico “uma proposta de resolução para que esses alunos prestes a se formarem e que tiveram o desempenho 1 e 2 não consigam o registro”. Para ele, é “muito tenebroso colocar pessoas que não têm qualificação para atender”.

No Amazonas, os cursos oferecidos pelas faculdades Universidade Nilton Lins (Uniniltonlins) e Faculdade Metropolitana de Manaus (Fametro) tiveram nota 1 no Enamed.