Cruzeiro do Sul, Acre, 25 de fevereiro de 2026 17:34

Sobe para 30 número de mortos na Zona da Mata mineira após fortes chuvas

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Os bombeiros de Minas Gerais confirmaram que subiu para 30 o número de mortos em decorrência das fortes chuvas que atingem a região da Zona da Mata. As mortes são registradas em Juiz de Fora e Ubá, municípios mais impactados até agora. Segundo a corporação, 39 pessoas seguem desaparecidas. Uma equipe de médicos-legistas de Belo Horizonte foi enviada à região para agilizar a identificação dos corpos.

Outras 208 pessoas foram retiradas de locais de soterramento e de pontos de inundação com vida nas cidades impactadas.

Em Juiz de Fora, os trabalhos de buscas continuam na noite desta terça-feira nas áreas atingidas, onde os militares utilizam escavadeiras para revirar os escombros de imóveis e a lama acumulada dos deslizamentos de terra. Há pouco, o governador Romeu Zema visitou uma das áreas de buscas e acompanhou os trabalhos dos bombeiros.

Imóveis desabaram em Juiz de Fora por conta das fortes chuvas — Foto: Corpo de Bombeiros de Minas Gerais

Em coletiva de imprensa, a secretária de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular de Juiz de Fora, Cidinha Louzada informou que equipes de psicólogos e de assistência social prestam apoio às famílias dos mortos.

“É um momento que a gente não pode escapar, ele é de dor, mas nós estamos com psicólogos, com assistente social, estamos com acolhimento no cemitério municipal e com todo o apoio às famílias, no nosso Hospital de Pronto-Socorro. Então é fundamental nesse momento que essas pessoas sejam acolhidas. Muitos que estavam lá eram amigos, conhecidos de muitos nossos. Mas isso tudo, de alguma forma, fortalece a gente para a gente cuidar da nossa cidade.”

Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, mais de mil pessoas estão desabrigadas ou desalojadas nas cidades atingidas na Zona da Mata, que já tiveram os decretos de calamidade pública reconhecidos.

O Ministério da Saúde, por sua vez, informou que enviou a Força Nacional do SUS para apoiar resposta às chuvas intensas na região da Zona da Mata, especialmente em Juiz de Fora e Ubá, com foco na assistência imediata. A pasta também vai disponibilizar recursos emergenciais, além de kits de medicamentos e insumos estratégicos.

O trabalho das equipes inclui desde o apoio à gestão municipal até a assistência direta à população, com ênfase no cuidado em saúde mental das pessoas afetadas e dos profissionais do SUS que atuam na linha de frente. Os profissionais também darão início à montagem do Comando de Operações de Emergência em Saúde.

Além disso, o Ministério da Saúde orientou os gestores locais a solicitarem recursos emergenciais, assim como kits de medicamentos e insumos estratégicos, assegurando agilidade no repasse de recursos e no fortalecimento da resposta assistencial neste momento de crise.

Médicos-legistas de BH vão à Juiz de Fora para identificação mais rápida dos corpos

Médicos-legistas de Belo Horizonte foram deslocados para Juiz de Fora, na Zona da Mata, para a identificação mais rápida dos corpos das vítimas das fortes chuvas que atingem a região.

Mais de 500 militares dos bombeiros, agentes das Defesas Civis municipal, estadual e nacional, além de policiais atuam nas buscas e na ajuda humanitária para as vítimas nas cidades atingidas.

Segundo os Bombeiros, desde a noite dessa segunda-feira, mais de 100 pessoas foram resgatadas com vida. Em Juiz de Fora, 74 casas foram destruídas pela força do solo encharcado que cedeu. As aulas também foram suspensas já que escolas municipais estão recebendo os mais de 600 desabrigados e desalojados.

Em Ubá, pelo menos quatro pontes foram destruídas. Segundo o Governo de Minas, não é possível acessar o município por terra, devido à grande quantidade de lama. Por isso, maquinário foi enviado à região para desobstrução das ruas e avenidas.

Segundo as forças de segurança, choveu o equivalente ao volume previsto para todo o mês em apenas algumas horas nas cidades da Zona da Mata. O vice-governador Mateus Simões, do PSD, ressaltou que a chuva forte vai persistir e que a população precisa deixar as áreas de risco.

“As pessoas que estão em áreas de encosta precisam sair imediatamente das suas casas. É um pedido que eu estou fazendo pela vida das pessoas em toda a região. As equipes do CREA estão chegando para a gente pontuar novas áreas de risco. A defesa civil municipal é muito bem estruturada, mas eu preciso que a população colabore atendendo a esse chamado. As duas cidades, também Matias Barbosa aqui ao lado, estão com muita água empoçada e nós vamos ter, então, ao longo dos próximos dias, um aumento de todas aquelas doenças que estão ligadas às enchentes. Eu preciso que as crianças fiquem fora das áreas alagadas. O risco de doenças, efetivamente, é muito alto nesse momento”, disse.

O governo de Minas também antecipou recursos aos municípios mineiros, referente a um período de 1 ano, para ações emergenciais. Por exemplo, Juiz de Fora receberá R$ 38 milhões e Ubá o valor de R$ 8 milhões. Dois caminhões com kits humanitários chegam ainda nesta terça nas localidades atingidas.

Em coletiva de imprensa, o governador de Minas, Romeu Zema, do NOVO, afirmou que as divergências políticas com a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, do PT, foram deixadas de lado em prol da população e que está em diálogo permanente com o governo federal.

Após sobrevoar a região atingida, o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, disse que o governo federal vai atuar na reconstrução das cidades impactadas.

“Nós já fizemos reconhecimento sumário da calamidade, tanto de Juiz de Fora, quanto de Ubá e neste momento estamos numa força gigante. A Defesa Civil Nacional, Ministério de Minas e Energias, da Saúde, da Assistência, Casa Civil prestando todo o apoio, seja na solidariedade humana, no resgate, na busca, mas também no restabelecimento e na reconstrução dos municípios atingidos”, afirmou.

Em viagem ao exterior, o presidente Lula se manifestou em nota e prestou solidariedade às cidades atingidas e às famílias dos mortos. Segundo ele, no momento, o foco é “garantir a assistência humanitária, o restabelecimento dos serviços básicos, o auxílio às pessoas desabrigadas e o suporte à reconstrução”.