Cruzeiro do Sul, Acre, 19 de março de 2026 15:17

Tenente-coronel preso por morte de PM cobrava sexo em troca de contas pagas

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Mensagens divulgadas em denúncia do Ministério Público mostram que o denunciado apresentava comportamento possessivo, controlador e autoritário

A denúncia do Ministério Público de São Paulo, divulgada nesta quarta-feira (18), apresentou provas de que o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto cobrava relações sexuais com a soldado Gisele Alves Santana em troca de pagar as contas da casa.

No documento, as mensagens entre ambos mostram que o denunciado apresentava comportamento possessivo, controlador e autoritário. Nas conversas, extraídas do celular do tenente-coronel, ele reclama da falta de “investimento” da vítima na relação e pontua os preços das contas pagas.

“Eu invisto todos os meses, 3 mil reais de aluguel, 2 mil reais de condomínio, 500 reais de água e luz, 500 reais de gás, fora as coisas que eu compro de mercado e todas as vezes que nós saímos eu pago tudo sozinho (…) e você investe quanto? Não tem dinheiro, beleza. Investe amor, carinho, atenção, dedicação, sexo…. mas nem isso você faz”, escreveu.

Em seguida, Gisele reitera seu desejo pela separação. “Por mim separamos, não vou trocar sexo por moradia e ponto final”, disse em 2 de fevereiro, poucos dias antes do crime.

“Macho alfa provedor e fêmea submissa”, escreveu tenente marido de PM morta

Ainda na noite desta quarta-feira (18), a defesa do tenente-coronel se manifestou por meio de uma nota. Leia na íntegra:

“O escritório de advocacia MALAVASI SOCIEDADE DE ADVOGADOS, contratado para assistir o Tenente-Coronel GERALDO LEITE ROSA NETO no acompanhamento das investigações relativas ao suicídio de sua esposa, vem a público prestar esclarecimentos.

Ante o recente decreto dúplice de prisão do Tenente-Coronel pelos mesmos fatos tanto perante a Justiça Militar quanto pela Justiça Comum, a defesa encontra-se estarrecida pela manutenção da competência de ambas as jurisdições.

Informa que sabedor dos pedidos de prisão em seu desfavor desde a data do dia 17/3 não só não se ocultou, como forneceu espontaneamente comprovante de endereço perante a Justiça, local onde foi cumprido o mandado de prisão, ato ao qual, embora manifestamente ilegal pois proferido por autoridade incompetente, não se opôs, tendo mantido a postura adotada desde o início das apurações de colaboração com as autoridades competentes.

Informa, por fim, que já ajuizou Reclamação perante o STJ contra o decreto oriundo da Justiça castrense e que estuda o manejo de habeas corpus quanto à decisão da 5ª Vara do Júri da Capital.

Reitera que seguem sendo divulgadas informações e interpretações que alcançam aspectos de sua vida privada, muitas vezes por meio de conteúdos descontextualizados, ocasionando exposição indevida e repercussões que atingem sua honra e dignidade. A intimidade, a vida privada, a honra e a imagem constituem direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal (art. 5º, X), razão pela qual a divulgação de elementos pertencentes a essas esferas encontra limites nas garantias constitucionais, sendo certo que, no momento oportuno, sua equipe jurídica irá reprochar toda e qualquer divulgação ou interpretação que venha vilipendiar tais direitos em relação ao Tenente-Coronel.

Por fim, o escritório reafirma sua confiança na atuação das autoridades responsáveis pela condução das investigações e reitera que o Tenente-Coronel aguarda a completa elucidação dos fatos”. 

Denúncia

O Ministério Público de São Paulo denunciou o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto pela morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada baleada dentro do apartamento onde o casal morava, no Brás, região central da capital paulista.

Na sequência, ainda segundo a denúncia, o oficial teria manipulado a cena para dar aparência de suicídio. O documento afirma que ele posicionou o corpo da vítima, colocou a arma em sua mão, escondeu vestígios e lavou as mãos para dificultar a perícia.

O Ministério Público também sustenta que houve demora no acionamento do socorro. Conforme a acusação, o policial só teria chamado ajuda cerca de meia hora após o disparo, período em que teria alterado o local dos fatos.

A denúncia descreve o relacionamento como marcado por violência. Segundo os promotores, o oficial apresentava comportamento possessivo, controlador e autoritário, com episódios de agressões físicas, psicológicas e humilhações. Há ainda relatos de exigência de relações sexuais em troca do pagamento de despesas da casa e tentativas de isolamento da vítima de familiares e amigos.

Mensagens extraídas do celular do denunciado, segundo o MP, reforçam esse cenário. Em uma delas, a vítima afirma que queria se separar e relata ter sido agredida dias antes do crime. Em outra, o oficial descreve um modelo de relacionamento baseado na submissão da mulher.

A acusação aponta que o feminicídio teria sido motivado pelo desejo da vítima de se divorciar. Dias antes da morte, Gisele chegou a pedir ajuda aos pais e afirmou que não suportava mais a relação.

Além disso, o Ministério Público afirma que o tenente-coronel pode ter usado sua posição hierárquica para influenciar testemunhas e interferir na investigação. Há relatos de que ele exercia forte influência sobre subordinados e desrespeitou orientações no local do crime, como a preservação da cena.

Diante dos elementos reunidos, o MP pediu a prisão preventiva do oficial e o afastamento do cargo, alegando risco à ordem pública e à instrução criminal.

O caso, inicialmente registrado como suicídio, passou a ser tratado como morte suspeita e, posteriormente, como possível feminicídio. Laudos periciais e contradições na versão apresentada pelo marido levaram à mudança na linha de investigação.

A Justiça decretou a prisão preventiva do tenente-coronel, e o caso deve ser analisado pelo Tribunal do Júri. A defesa do oficial nega as acusações e sustenta que a policial tirou a própria vida.