Pai de dois filhos, Felipe Henrique Ferreira, de 34 anos, trabalhava em condomínio de luxo e era considerado um homem pacato e querido
A onda de violência que atinge o extremo sul da Bahia fez mais uma vítima e chocou moradores de uma das regiões turísticas mais valorizadas do país. O corpo do jardineiro Felipe Henrique Ferreira, de 34 anos, foi encontrado em uma área de plantação de eucaliptos no distrito de Caraíva, zona rural de Porto Seguro (BA).
Felipe, que trabalhava na manutenção de um condomínio de alto padrão na região, estava desaparecido desde a madrugada do último sábado (30/5), quando foi levado por criminosos de uma propriedade rural no povoado de Itaporanga, nas proximidades de Trancoso. Ele era considerado um homem pacato e dedicado ao trabalho e deixa dois filhos pequenos.
De acordo com fontes policiais ligadas à investigação, a principal linha de apuração aponta que o trabalhador foi sentenciado à morte por lideranças do Comando Vermelho, facção criminosa que tenta expandir o domínio territorial no litoral baiano.
O pretexto para a execução seria uma suspeita infundada de que o jardineiro teria delatado às forças de segurança a localização de uma boca de fumo que operava nas proximidades. Moradores da localidade, que preferem o anonimato por medo de retaliações, reforçam que a vítima era uma pessoa de bem e que sua morte decorreu da paranoia e do sadismo dos criminosos que tentam ditar as regras na região.
O calvário de Felipe Henrique começou na madrugada do último sábado (30/5), quando três homens encapuzados invadiram a propriedade rural onde ele residia. Os criminosos chegaram ao imóvel a bordo de uma picape Fiat Strada verde-musgo e se apresentaram falsamente como policiais.
Testemunhas relataram que a abordagem foi extremamente truculenta e que disparos de arma de fogo foram ouvidos logo após a invasão, antes de a vítima ser colocada à força no veículo e levada do local.
Ocultação de cadáver
Ainda no último sábado (30/5), a perícia realizada pelos investigadores na residência de Felipe já indicava a gravidade da situação e a forte possibilidade de homicídio seguido de ocultação de cadáver. No interior do imóvel, os peritos criminais encontraram grande quantidade de sangue espalhada, cápsulas de munição calibre 9 milímetros e o telefone celular da própria vítima, que acabou sendo deixado para trás pelos executores.
No chão da casa, também foram recolhidos dois dentes humanos, o que aponta para a ocorrência de agressões físicas e tortura logo nos primeiros momentos do ataque. Após dias de buscas e diligências intensas para apurar o desaparecimento, os investigadores localizaram o cadáver em avançado estado de decomposição na estrada principal sentido Palmares.
O corpo estava em uma área situada entre os assentamentos Chico Mendes e Frutos da Terra, na região da estrada que liga Toco Azul ao município de Itabela. O corpo foi removido para o Instituto Médico Legal para a realização de exames necroscópicos, e a Polícia Civil da Bahia segue com as investigações sob sigilo para identificar e prender os autores do crime que aterroriza o paradisíaco litoral sul.
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