O Irã afirma que o Estreito está fechado desde a semana passada e ameaça atacar navios que passarem pela região

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que vai atacar o Irã ‘vinte vezes mais forte’ caso o país bloqueie o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz. A declaração foi publicada em uma rede social.
O Irã afirma que o Estreito está fechado desde a semana passada e ameaça atacar navios que passarem pela região. Os Estados Unidos negam que a rota esteja bloqueada. Ainda assim, o fluxo de embarcações diminuiu nos últimos dias.
No décimo dia do conflito no Oriente Médio, Trump deu sinais ambivalentes. Mais cedo, o republicano havia dito que os combates contra o Irã devem acabar em breve. Segundo ele, a guerra estava ‘praticamente concluída’.
O país persa rebateu e disse que o fim da guerra será determinado por Teerã.
Trump não estabeleceu um prazo para cessar os ataques. Ao falar do fim do conflito, o presidente exaltou a capacidade militar americana.
A sinalização foi feita no dia em que a perspectiva de interrupção no fornecimento global de petróleo levou o preço do barril aos 120 dólares, no maior valor em quatro anos.
Antes do início do conflito, a cotação estava em torno dos 70 dólares. Depois das falas de Trump, o petróleo caiu e voltou a ficar abaixo dos cem dólares.
O presidente americano disse que poderia suspender algumas sanções envolvendo o petróleo, mas não especificou quais. Segundo a agência Reuters, as sanções contra o petróleo da Rússia podem cair como parte de um pacote para conter a disparada de preços.
Nesta segunda-feira (9) , o presidente Lula se disse preocupado. Segundo ele, o conflito ameaça a paz e a segurança internacional e tem impacto econômico, aumentando o preço dos combustíveis.
Durante encontro com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, Lula disse também que o Brasil precisa se preparar para evitar invasões ao território nacional.
O presidente exaltou a paz na América Latina, mas ressaltou a necessidade de modernização da defesa brasileira.
A preocupação de Lula vem num momento em que o Brasil atua em uma frente diplomática delicada junto aos Estados Unidos.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, para tentar impedir que o governo Trump classifique facções brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, como organizações terroristas.
O temor do Itamaraty é que a medida abra brechas na legislação americana para operações militares unilaterais no Brasil, a exemplo do que ocorreu na Venezuela.