Cruzeiro do Sul, Acre, 8 de abril de 2026 14:59

Trump diz que concorda em suspender ataques ao Irã por duas semanas

GettyImages-2270103487-e1775591298447

Presidente dos EUA condicionou medida à reabertura do Estreito de Ormuz e citou pedido do Paquistão

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta terça-feira (7) que concordou em suspender ataques ao Irã por duas semanas. O anúncio foi feito menos de duas horas antes do fim do prazo que ele havia estabelecido para que o país do Oriente Médio fechasse um acordo e reabrisse o Estreito de Ormuz.

De toda forma, ele condicionou a suspensão das hostilidades à reabertura da passagem marítima. Ainda não está claro se o Irã também aceitou a pausa nos ataques.

“Com base nas conversas com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o marechal de campo Asim Munir, do Paquistão, nas quais me solicitaram que suspendesse o envio de forças destrutivas ao Irã esta noite, e desde que a República Islâmica do Irã concordasse com a ABERTURA COMPLETA, IMEDIATA e SEGURA do Estreito de Ormuz, concordo em suspender os bombardeios e ataques ao Irã por um período de duas semanas”, disse Trump em publicação na Truth Social.

“Este será um CESSAR-FOGO bilateral! A razão para tal é que já cumprimos e superamos todos os objetivos militares e estamos muito avançados em um acordo definitivo sobre a PAZ a longo prazo com o Irã e a PAZ no Oriente Médio”, adicionou.

Ainda segundo o presidente americano, os Estados Unidos receberam uma proposta de 10 pontos do Irã, destacando que o documento é uma “base viável para negociação”.

“Quase todos os pontos de discórdia anteriores foram acordados entre os Estados Unidos e o Irã, mas um período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e consolidado”, acrescentou.

“Em nome dos Estados Unidos da América, como presidente, e também representando os países do Oriente Médio, é uma honra ver este problema de longa data próximo de uma solução. Agradeço a sua atenção a este assunto!”, finalizou.

O Conselho Supremo de Segurança do Irã afirmou nesta terça-feira (7) que as negociações com os EUA começarão na sexta-feira (10) em Islamabad, depois de ter apresentado uma proposta de 10 pontos a Washington via Paquistão, informou a mídia estatal iraniana, acrescentando que as negociações não sinalizam o fim da guerra.

O Irã disse que as negociações, que podem durar até 15 dias e podem ser estendidas por acordo, visam finalizar os detalhes da proposta, que inclui disposições sobre o trânsito através do Estreito de Ormuz, alívio de sanções e retirada das forças de combate dos EUA das bases regionais.

Resposta do Irã

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Aragachi, disse que, durante as duas semanas, a passagem segura pelo Estreito de Ormuz “será possível por meio da coordenação com as Forças Armadas do Irã e levando em consideração as limitações técnicas”.

Aragachi também expressou gratidão ao primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, e ao chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, por pressionarem Trump a implementar um cessar-fogo.

O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã divulgou uma declaração destacando que o plano de 10 pontos do país “enfatiza questões fundamentais”, como a “passagem regulamentada pelo Estreito de Ormuz sob a coordenação das Forças Armadas do Irã”.

Isso garantiria ao Irã uma “posição econômica e geopolítica única”, afirma a declaração.

Israel também concordou com cessar-fogo, diz Casa Branca

Um alto funcionário da Casa Branca disse à CNN que Israel também faz parte do cessar-fogo de duas semanas anunciado por Trump.

O país também concordou em suspender os bombardeios enquanto as negociações continuam, afirmou a fonte.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.

Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.

Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.

Mais de 1.750 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.

O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.

Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.

Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, a classificando como um “grande erro”. Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria “inaceitável” para a liderança do Irã.

(Com informações de  e