Cruzeiro do Sul, Acre, 26 de março de 2026 04:45

Trump e Irã divergem sobre acordo enquanto crise do petróleo se alonga

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Perto de completar um mês de conflito, negociações entre EUA e Irã travam diante de ameaças mútuas e tensão no Estreito de Ormuz

Às vésperas de completar um mês de conflito, a guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos, Irã e Israel ganha capítulos contraditórios em relação às negociações. Entre discursos diplomáticos de Donald Trump e sinais de recuo, o Irã mantém posicionamento rígido, desmentindo a versão norte-americana e reforçando ameaças militares.

Nessa segunda-feira (23/3), Trump buscou transmitir imagem de liderança conciliadora, ao chegar ao 23º dia de guerra anunciando trégua de cinco dias. O cessar-fogo temporário abrange possíveis ataques à infraestrutura energética iraniana.

Donald Trump também afirmou que os EUA estão conversando com uma “pessoa importante” do regime de Teerã — que não é o líder supremo, Mojtaba Khamenei.

“Não, não é o líder supremo”, afirmou Trump. “Não sabemos do filho. De vez em quando aparece alguma declaração, mas não sabemos se ele está vivo.”

O republicano também indicou que as conversas têm sido produtivas e que um acordo seria desejado por ambos os lados: “Eles querem muito um acordo. Nós também gostaríamos de um”.

O Irã, porém, contesta publicamente essas declarações. Segundo a imprensa iraniana, as falas de Trump fariam parte de uma estratégia para reduzir os preços de energia e ganhar tempo para implementar planos militares.

Impasses diplomáticos

Apesar da sinalização diplomática de Trump, a divergência entre os discursos mantém a região em alerta máximo. O Irã nega negociações em andamento, interpretando a suspensão temporária dos ataques americanos como resultado de pressões econômicas e das próprias ameaças militares.

A ofensiva iraniana ocorre em meio à quarta semana de confrontos indiretos, sem perspectiva de trégua, e com 22 países emitindo declarações conjuntas para preservar a segurança da navegação no Golfo Pérsico.

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Estreito de Ormuz no centro da disputa

  • O Estreito de Ormuz, rota estratégica pela qual passa cerca de 20% do petróleo mundial, se tornou protagonista da crise.
  • Trump afirmou que, caso haja acordo, a passagem poderá ser reaberta “imediatamente” e sob modelo de controle conjunto.
  • O governo iraniano, porém, advertiu que o estreito poderia ser fechado “completamente” caso os EUA ataquem usinas de energia do país.
  • Na mesma linha, o quartel-general das Forças Armadas iranianas afirmou que a rota só seria reaberta após eventual reconstrução das instalações destruídas.
  • “Se as ameaças dos EUA forem levadas a cabo, medidas punitivas serão implementadas imediatamente: o Estreito será fechado, instalações energéticas e empresas com participação americana serão atacadas”, disse o porta-voz Khatam al-Anbiya.

Escalada frequente

Desde então, o confronto indireto passou a ser marcado por escalada de ameaças, movimentações militares e disputas pelo controle do Estreito de Ormuz.

No último fim de semana, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que as ofensivas contra o Irã devem ser intensificadas nos próximos dias, com foco em alvos estratégicos.

Mohsen Rezaee, oficial sênior da Guarda Revolucionária Islâmica, elevou ainda mais o tom nesta segunda-feira (23/3) e reforçou o distanciamento em relação ao discurso diplomático adotado por Donald Trump.

“Não será mais olho por olho, e sim olho por cabeça, mão e pé. Os Estados Unidos ficarão paralisados”, declarou, dirigindo-se diretamente a Trump.

Rezaee reforçou que qualquer ataque norte-americano a infraestruturas de energia provocaria resposta ampla e sem cessar-fogo, e que o Irã possui um plano estruturado de defesa que detalharia caso o conflito avançasse.

Enquanto o impasse diplomático que segue travando negociações para um cessar-fogo persiste, os reflexos já são sentidos na economia global. O bloqueio e as ameaças no Estreito de Ormuz — uma das principais artérias do comércio global de petróleo — têm pressionado os preços da commodity e elevado a volatilidade nos mercados.

A escalada e o controle de Ormuz têm consequências diretas para a estabilidade energética mundial. Pelo estreito passam cerca de 20% do petróleo e 25% do gás natural globais, grande parte vai para China, Índia, Coreia do Sul e Japão.

A continuidade da tensão segue agravando a crise energética, afetando diretamente o custo dos combustíveis e ampliando os impactos econômicos em diversos países.