Perto de completar um mês de conflito, negociações entre EUA e Irã travam diante de ameaças mútuas e tensão no Estreito de Ormuz
Às vésperas de completar um mês de conflito, a guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos, Irã e Israel ganha capítulos contraditórios em relação às negociações. Entre discursos diplomáticos de Donald Trump e sinais de recuo, o Irã mantém posicionamento rígido, desmentindo a versão norte-americana e reforçando ameaças militares.
Nessa segunda-feira (23/3), Trump buscou transmitir imagem de liderança conciliadora, ao chegar ao 23º dia de guerra anunciando trégua de cinco dias. O cessar-fogo temporário abrange possíveis ataques à infraestrutura energética iraniana.
Donald Trump também afirmou que os EUA estão conversando com uma “pessoa importante” do regime de Teerã — que não é o líder supremo, Mojtaba Khamenei.
“Não, não é o líder supremo”, afirmou Trump. “Não sabemos do filho. De vez em quando aparece alguma declaração, mas não sabemos se ele está vivo.”
O republicano também indicou que as conversas têm sido produtivas e que um acordo seria desejado por ambos os lados: “Eles querem muito um acordo. Nós também gostaríamos de um”.
O Irã, porém, contesta publicamente essas declarações. Segundo a imprensa iraniana, as falas de Trump fariam parte de uma estratégia para reduzir os preços de energia e ganhar tempo para implementar planos militares.
Impasses diplomáticos
Apesar da sinalização diplomática de Trump, a divergência entre os discursos mantém a região em alerta máximo. O Irã nega negociações em andamento, interpretando a suspensão temporária dos ataques americanos como resultado de pressões econômicas e das próprias ameaças militares.
A ofensiva iraniana ocorre em meio à quarta semana de confrontos indiretos, sem perspectiva de trégua, e com 22 países emitindo declarações conjuntas para preservar a segurança da navegação no Golfo Pérsico.

Estreito de Ormuz no centro da disputa
- O Estreito de Ormuz, rota estratégica pela qual passa cerca de 20% do petróleo mundial, se tornou protagonista da crise.
- Trump afirmou que, caso haja acordo, a passagem poderá ser reaberta “imediatamente” e sob modelo de controle conjunto.
- O governo iraniano, porém, advertiu que o estreito poderia ser fechado “completamente” caso os EUA ataquem usinas de energia do país.
- Na mesma linha, o quartel-general das Forças Armadas iranianas afirmou que a rota só seria reaberta após eventual reconstrução das instalações destruídas.
- “Se as ameaças dos EUA forem levadas a cabo, medidas punitivas serão implementadas imediatamente: o Estreito será fechado, instalações energéticas e empresas com participação americana serão atacadas”, disse o porta-voz Khatam al-Anbiya.
Escalada frequente
Desde então, o confronto indireto passou a ser marcado por escalada de ameaças, movimentações militares e disputas pelo controle do Estreito de Ormuz.
No último fim de semana, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que as ofensivas contra o Irã devem ser intensificadas nos próximos dias, com foco em alvos estratégicos.
Mohsen Rezaee, oficial sênior da Guarda Revolucionária Islâmica, elevou ainda mais o tom nesta segunda-feira (23/3) e reforçou o distanciamento em relação ao discurso diplomático adotado por Donald Trump.
Rezaee reforçou que qualquer ataque norte-americano a infraestruturas de energia provocaria resposta ampla e sem cessar-fogo, e que o Irã possui um plano estruturado de defesa que detalharia caso o conflito avançasse.
Crise do petróleo
Enquanto o impasse diplomático que segue travando negociações para um cessar-fogo persiste, os reflexos já são sentidos na economia global. O bloqueio e as ameaças no Estreito de Ormuz — uma das principais artérias do comércio global de petróleo — têm pressionado os preços da commodity e elevado a volatilidade nos mercados.
A escalada e o controle de Ormuz têm consequências diretas para a estabilidade energética mundial. Pelo estreito passam cerca de 20% do petróleo e 25% do gás natural globais, grande parte vai para China, Índia, Coreia do Sul e Japão.
A continuidade da tensão segue agravando a crise energética, afetando diretamente o custo dos combustíveis e ampliando os impactos econômicos em diversos países.
Receba notícias do Metrópoles no seu Telegram e fique por dentro de tudo! Basta acessar o canal de notícias no Telegram.