Cruzeiro do Sul, Acre, 4 de fevereiro de 2026 15:21

Ucrânia e Rússia se reúnem para negociações de paz em Abu Dhabi com mediação dos EUA

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Negociadores da Ucrânia e da Rússia se reuniram nesta quarta-feira (4) em Abu Dhabi, nos Emirados Arábes Unidos, para tentar avançar em uma proposta de paz para o final da guerra entre os dois países. O encontro tem mediação dos Estados Unidos.

A expectativa é que a reunião ainda siga nesta quinta-feira (5).

O principal ponto de discórdia é o destino a longo prazo do território no leste da Ucrânia. O governo ucraniano sempre rechaçou entregar parte dos territórios, mas já aceita isso atualmente. No entanto, os russos defendem que seja uma fatia maior do que está sendo proposto.

Moscou exige que Kiev retire suas tropas de vastas áreas do Donbas, incluindo cidades fortemente fortificadas situadas sobre extensos recursos naturais, como condição prévia para qualquer acordo. Também exige o reconhecimento internacional de que as terras tomadas na invasão pertencem à Rússia.

Kiev afirmou que o conflito deve ser congelado ao longo da atual linha de frente e rejeitou uma retirada unilateral de forças.

As negociações acontecem em meio a ataques devastadores da Rússia contra a infraestrutura energética ucraniana. Foram cerca de 450 drones e 70 mísseis. A informação foi revelada pelo ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sybiha.

‘Nem os esforços diplomáticos previstos em Abu Dhabi esta semana, nem as promessas aos Estados Unidos impediram [a Rússia] de continuar a aterrorizar pessoas comuns no inverno mais rigoroso’, escreveu ele nas redes sociais.

A proposta de cessar-fogo dos Estados Unidos, que será discutida dentro do encontro desta quarta (4) envolve diretamente os parceiros europeus do país, assim como um apoio dos EUA. O plano prevê o envolvimento progressivo de forças europeias e, em caso de violações repetidas, apoio militar direto dos EUA.

As informações são de uma reportagem do jornal Financial Times.

O plano começaria com o destacamento de uma força de dissuasão liderada pela Europa, apoiada por logística e inteligência dos EUA. Em caso de escalada, uma segunda fase seria acionada, envolvendo a Frente Popular da Ucrânia (Willing) e, por fim, uma resposta militar coordenada com participação direta dos EUA.

A ideia é, inicialmente, manter uma maior tranquilidade e distanciamento após um final da guerra. O envolvimento viria apenas em caso de necessidade.

Rússia diz que divergências com Ucrânia diminuíram, mas que reunião de fim da guerra precisa ser em Moscou

Prédio destruído após novo ataque da Rússia contra a Ucrânia. — Foto: AFP

Prédio destruído após novo ataque da Rússia contra a Ucrânia. — Foto: AFP

A Rússia afirmou nesta segunda-feira (2) que segue ‘aberta a negociações’ com a Ucrânia sobre a guerra. Segundo declaração do porta-voz do governo, Dmitry Peskov, houve progressos de algumas questões e as divergências diminuíram.

Apesar disso, ele defende que se trata um ‘processo complexo e multifacetado’.

‘Em algumas questões, fizemos progressos porque houve discussões e conversas. Em algumas questões, é mais fácil encontrar um terreno comum. Existem questões em que é mais difícil encontrar um consenso. Não é possível fazer nenhum progresso nessas áreas ainda’, disse em uma coletiva de imprensa.

Ele completou comentando que uma negociação para o fim da guerra até pode acontecer. Porém, o presidente russo, Vladimir Putin, possui uma condição: a necessidade de ocorrerem em Moscou, capital da Rússia.

O porta-voz também afirma que o apelo do presidente francês, Emmanuel Macron, ao diálogo com Moscou ‘é sensato, e nós o compartilhamos’.