Cruzeiro do Sul, Acre, 30 de julho de 2026 20:28

Ventos podem ter chegado a 300 km/h durante tornado no Sul

Especialistas afirmaram que a análise foi feita a partir dos rastros de destruição causados pelo fenômeno; classificação é de EF3 na Escala Fujita

Os ventos que atingiram o Rio Grande do Sul, durante o tornado registrado na última terça-feira (28), podem ter chegado até 300 km/h. As informações são dos meteorologistas da MetSul.

O fenômeno atingiu o Noroeste do  Rio Grande do Sul e deixou pessoas feridas, além de dezenas de desabrigados.

Os  municípios mais afetados foram Giruá, Senador Salgado Filho,  Santo Cristo e Cândido Godói.

De acordo com os especialistas da MetSul, uma avaliação preliminar mostra que o tornado pode ser classificado no limite superior da categoria EF3 na Escala Fujita, usada para medir a intensidade de tornados baseados nos danos causados e na velocidade estimada do vento.

A partir dessa análise, o tornado recebe uma classificação que varia de EF0, a menos intensa, até EF5, a mais destrutiva.

Após a avaliação dos danos, os especialistas estimam as rajadas de vento com duração mínima de três segundos que atuaram na área atingida. Com base nesses valores, é definida a categoria EF correspondente.

  • EF0: ventos entre 104 km/h e 137 km/h (65 a 85 mph); danos leves
  • EF1: ventos entre 138 km/h e 177 km/h (86 a 110 mph); danos moderados
  • EF2: ventos entre 178 km/h e 217 km/h (111 a 135 mph); danos consideráveis
  • EF3: ventos entre 218 km/h e 266 km/h (136 a 165 mph); danos severos
  • EF4: ventos entre 267 km/h e 321 km/h (166 a 200 mph); danos devastadores
  • EF5: ventos superiores a 321 km/h (acima de 200 mph); danos de enorme destruição

Baseada na análise dos danos observados no Noroeste do Rio Grande do Sul, o tornado pode ser classificado como categoria EF3, podendo ainda ser reavaliado para a categoria EF4, a partir de uma avaliação mais detalhada.

Entre os elementos analisados, estão o colapso estrutural total de moradias solidamente construídas, destruição de edificações de alvenaria, árvores de grande porte arrancadas e veículos deslocados pela força do vento, conforme informou a MetSul.

A classificação definitiva ainda depende da análise dos tipos de estruturas que foram destruídas e da distribuição dos danos ao longo da trajetória do tornado.

Porém, as imagens aéreas usadas para analisar a intensidade do tornado mostram um padrão de destruição compatível com um tornado de alta intensidade.

Um dos aspectos que mais chamam a atenção dos especialistas, de acordo com a Metsul, é o nível de destruição das moradias. Em algumas casas, por exemplo, restaram apenas partes da parede e da fundação.

Os telhados, estruturas de madeira, móveis e eletrodomésticos foram lançados a dezenas de metros. Eles ficaram espalhados em meio aos destroços da destruição causada pelo fenômeno.

O que provocou o tornado

Segundo análise da MetSul Meteorologia, a devastação na região foi provocada pela formação de uma supercélula de tempestade, o tipo mais intenso e organizado de tempestade na atmosfera.

O fenômeno se desenvolveu a partir da combinação de ar muito quente e úmido impulsionado por um jato de baixos níveis, alta instabilidade e um forte cisalhamento do vento (mudança na velocidade e direção dos ventos conforme a altitude).

Essa dinâmica gerou um mesociclone, ou seja, uma corrente ascendente em rotação, criando a nuvem-parede e o funil que tocou o solo com ventos destrutivos.