Em apenas um dia, mais de 30 animais foram retirados dos escombros de residências que caíram, inclusive uma gata com vários filhotes, além de um cão soterrado e um bezerro em uma área alagada
Voluntários do Grad, Grupo de Resgate Animal, e bombeiros atuam na retirada de cães, gatos, aves e até equinos e bovinos das áreas atingidas pelas fortes chuvas em Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata. Em apenas um dia, mais de 30 animais foram retirados dos escombros de residências que caíram, inclusive uma gata com vários filhotes, além de um cão soterrado e um bezerro em uma área alagada. Em Ubá, um hospital veterinário com mais de 400 cães está ilhado depois que as pontes de acesso foram destruídas pelas enchentes.
Mais de 50 animais já foram resgatados em Juiz de Fora, na Zona da Mata, das áreas atingidas pelas fortes chuvas e que resultaram em deslizamentos de terra e enchentes. Voluntários do GRAD, Grupo de Resgate Animal Brasil e de Belo Horizonte, e de outras insituições de proteção animal se revezam na busca por cães, gatos, aves e até bovinos e equinos que possam estar em áreas de risco.
Vitor Felipe de Melo saiu de Nova Lima, na região metropolitana de BH, para auxiliar no resgate de animais em Juiz de Fora, devido à grande quantidade de pedidos de ajuda. Ele tem um projeto de captura de gatos para castração e levou a experiência da atuação nas enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, para auxiliar nos resgates.
Segundo Vitor, grande parte dos pets foi deixada pelas famílias que precisaram sair às pressas por conta dos riscos.
“Um volume muito grande de animais que ficaram para trás quando os tutores saíram das casas condenadas por risco geológico ou da própria estrutura. Então, os animais muitas vezes não conseguiam acompanhar os nossos tutores, então eles ainda precisam de resgate mesmo que eles não estejam soterrados, mesmo que não tenha acontecido já nada com eles. Eles precisam de voltar para família, então, essa tá sendo uma demanda muito recorrente”, relatou.

Resgate de animais em Minas Gerais — Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros
A voluntária do Grupo de Resgate Animal de Belo Horizonte Paloma Ambrósio afirma que são dezenas de chamados diários para resgates. Porém, a falta de lugar para receber os animais retirados das áreas de risco é um dificultador.
“E o que a gente mais está precisando agora no momento são lugares que nos dêem apoio em relação a esses animais que estão precisando de um lugar para ficar. Nós chegamos no limite máximo com os LTs, os lares temporários. No abrigo também municipal nós estamos chegando nesse número limite, inclusive para animais mais bravos. A gente não está conseguindo resgatá-los porque a gente não tem um lugar para levá-los. Então, se a gente conseguisse parceria, conseguisse pessoas que pudessem nos ajudar com isso ia ser assim, nossa, maravilhoso”, afirmou.
Entre os animais resgatados nos últimos dias está um cãozinho soterrado e que foi retirado de escombros pelos bombeiros, além de uma cadela paraplégica resgatada por policiais civis em Juiz de Fora. Em Ubá, cidade vizinha e fortemente afetada, um bezerro foi retirado por bombeiros já exausto da área de enchentes.
Por lá, um hospital veterinário e canil com cerca de 400 cães está ilhado após as duas pontes que dão acesso ao local terem sido danificadas pelas enchentes. Jane Lacerda é responsável pelo hospital, que atende Ubá e outros municípios da região, e disse que mesmo assim segue recebendo animais vítimas das chuvas.
Ela afirmou que os impactos vão ser sentidos nos próximos dias se o acesso não for reestabelecido.
“Por enquanto tem tudo, porque a pé a gente consegue sair daqui. Então, o veículo vem, traz, a gente pega na ponte, igual a ração, por exemplo. Eles trouxeram, passaram a pé na ponte com a ração, passaram pro meu carro, eu trouxe cá para cima. Mas daqui a pouco a gente vai começar a sentir os efeitos. Por exemplo, lixo hospitalar que a gente precisa de de tirar daqui, não tem passagem. Então, a gente não sabe quando que vai recuperar isso”, disse.
A CBN procurou a prefeitura de Ubá e aguarda um retorno sobre a situação do hospital veterinário. Já a prefeitura de Juiz de Fora informou que a Secretaria de Bem-Estar Animal está coordenando os resgates juntamente com os voluntários, Defesa Civil e bombeiros.
Como ajudar os animais?
Para quem quiser contribuir com o trabalho de resgate dos animais vítimas das chuvas em Minas, o GRAD de Belo Horizonte disponibilizou a chave-pix grupoderesgateanimal@gmail.com./
Já o projeto “Pega pra Castrar” disponibilizou a chave pix: victorfilipeam@gmail.com. Doações de rações, de água, material de limpeza pet, tapetes higiênicos, entre outras, também podem ser encaminhadas às prefeituras e entidades de proteção animal que atuam nas duas cidades.

Resgate de animais em Minas Gerais — Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros
